Um balanço dos 5 anos de Mujica

segunda-feira, março 2, 2015

mujicaHá pouco mais de um ano, o agora ex-presidente uruguaio Pepe Mujica disse à TV Folha: “Ninguém vai desconfiar do imperialismo uruguaio”. No fim de semana, Mujica passou a faixa para Tabaré Vásquez, também de seu partido, depois de se tornar um ícone pop mundial.

O Uruguai tem população que cabe na região metropolitana de Belo Horizonte e seus habitantes se orgulham de formar  uma nação de 3 milhões de pessoas. Metade deles vive em Montevidéu e seus arredores e o restante se espalha pelo interior do país. Ninguém desconfia das intenções de um país como o Uruguai. E, muito menos, ninguém desconfia de um presidente como Pepe Mujica.

Como já dito e redito – inclusive aqui - o ex-chefe do Executivo uruguaio tem 79 anos, doa 90% de seu salário, vive em uma chácara de três cômodos na periferia da capital, tem uma cachorra de três patas, Manuela, e dá rolé em um fusca azul 1987. Ninguém desconfia de uma pessoa assim, ainda mais presidente de um país, cujo vizinho ao norte comporta um território 48 vezes o seu.

Posto isso, o Tupamaro, nos últimos cinco anos, foi responsável por uma série de medidas e reformas que o torna o maior líder da esquerda no continente.

- Descriminalização do aborto: Desde 2012 as mulheres que quiserem podem interromper sua gestação, nas primeiras 12 semanas, dentro da lei. O Uruguai tem uma história de idas e vindas com relação a este tema. Em qualquer lugar do mundo, o tema é controverso e Mujica preferiu o tratar como caso de saúde pública e não de polícia. A votação do projeto, no Senado, durou um dia e meio e foi apertada: 17 votos a 14. Depois de aprovada a lei, um deputado convocou uma consulta popular para saber se a população apoiaria a ideia de um referendo sobre a legislação – a democracia tem dessas coisas. Mas a ideia foi rechaçada, nas urnas.

- Descriminalização da maconha: O Uruguai foi o primeiro país no mundo a regulamentar toda a cadeia de produção e venda da maconha no país. A produção será controlada pelo Estado. O país aprovou, ainda, o uso medicinal e recreativo da droga, assim como ocorre em outros cantos. A ideia é que, a partir deste ano as farmácias pudessem comercializar a maconha legal. No entanto, com o fim do mandato de Mujica, esse “detalhe” deve ser deixado de lado. Durante a campanha eleitoral, o ex-presidente e o atual Tabaré Vásquez chegaram a discutir sobre o tema. Tabaré, médico oncologista, é contra.

- Casamento gay: Em 2013, três anos depois da Argentina, o vizinho oriental aprovou uma lei que garante a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

- Presos de Guantánamo: Mujica assinou um acordo com os Estados Unidos para que pudesse receber detentos isolados na prisão de Guantánamo, em Cuba, famoso pelas práticas de tortura e outras violações aos direitos humanos. Quatro sírios, um palestino e um tunisiano desembarcaram no Uruguai no fim do ano passado sob a condição de refugiados. Contra eles, não pesava qualquer condenação.

- Guerra civil síria: Poucos meses antes da chegada dos guantanameros, Mujica recebeu 42 sírios que fugiam da guerra civil em seu país. Naquele ano, pela primeira vez, o Afeganistão havia deixado a liderança do ranking de maior número de refugiados justamente para a Síria. Quatro dezenas deles desembarcaram no Uruguai – 31 crianças. Antes de assumir o cargo, Tabaré Vásquez disse que iria suspender a ajuda.

Ninguém desconfia do imperialismo uruguaio, mas é preciso muita coragem para tomar decisões como as de cima em apenas cinco anos.

ps: Mujica continuará na política, mais uma vez como senador da República Oriental do Uruguai.

Fonte: O Tempo


Faça seu comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Voluntários

Loja Virtual

Em Breve
Close